Disseram ao homem que subia a escada:
- Não olhe pra baixo!
E ele olhou
mas não havia nada.
Se a poesia é feita do encontro. de letras. de palavras. Que se encontram e se relacionam em ritmo sincronia sentido beleza perfeita no espaço. Tudo o que posso pensar e sentir é que eu e você somos duas palavras infinitas que se encontraram. e continuamente fazem poesia um no outro. um ao outro. (Com sussurros voz ações carinho beijos abraços)
Das vezes que me vi no espelho e me considerei humano, foi quando estava vivo e presente. Por mais que os erros me açoitassem e os acertos me elevassem para acima da minha condição, me sentir humano era mais. Perceber-se carne e sangue é para poucos, supeitar da existência da alma quase um clichê. Sei de um deus, assim como sei que nesses dias me dá mais conforto ver-me artérias e respiração do que complexar um espírito. Hoje tive essa visão, e foi quase como um silêncio.
Quando dois poetas se encontram os rios voltam a correr, torna-se outono primavera, folhas caem flores nascem. O frio sopra no ouvido e os cobertores voltam a aquecer na madrugada, o verão toma conta, faz suar no vermelho de uma taça.
Em uma dessas noites no meio, acordei e ela não estava ao meu lado. Investiguei à passos de meia silenciosos. Abri a porta do quarto devagar e visualizei a única luz acesa da casa. Tênue. Avancei sem respirar até postar-me ao lado da porta entre-aberta. Espiei e lá estava, em frente ao computador, descaradamente em transe. Inteira. Era poetisa. a sua identidade. Secreta. Descobri então. que apenas me usava durante o dia. Me sucitava doces delírios de cólera, sussurrava carinhos em minha alma, me entortava do avesso para se inspirar. E então à noite unicamente à noite, entregava-se. às palavras.
Tudo o que sei, e sei por verdade própria, é que depois de algum tempo juntos, ela passou a ser vogal e ele consoante. Quando sozinhos, não havia o verbo, não fazia mais sentido a palavra.
Prefiro andar sozinho nos campos de cebola no lugar de sorrir em companhia de alguém preso às suas vestes.
Nasci numa civilização gripada. Nos arrastamos amortizando os sintomas. Perdi o contato com a terra, perdi o caminho do sagrado. Ao querer um atalho para a alma virtuei-me no caminho da não existência. Um endereço um código.
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Decidiu que seria sábio, como num clique fotográfico de máquina digital .Revelação instantânea: estava sábio. Olhou para a vida de cima, de baixo de frente, de trás. Tudo de uma vez. E manteve esse olhar. Não é que tudo fazia sentido. Mas tudo era apenas o que era. Nada além, mais ou menos. E não era mais ou menos. Era exato em toda imprecisão. Ao tornar-se sábio, o coração parou. de doer.
Se a ânsia existe. é por ser feliz. quanto mais. melhor eu seguir você ou meus pincípios que correm sempre em um leito. leite quente. se é morno congelo, se gelado desabo na esquina mas nado. o nada é do que corro, talvez por medo do silêncio, ou por medo de escutar as coisas. mas me diga, quem gosta, de viver. com medo.
Sua pulsação linear não se alterava. Durante anos permaneceu. A pulsação sem se alterar. Caminhava no mesmo movimento, não que fosse lento, apenas não havia aceleração alguma. Sua vida organizava-se feito engrenagem. Cada coisa em seu lugar. Perfeito sempre. Sem direito à bagunça. Sem direito ao caos. Se uma pena caísse em sua frente e o fizesse desacelerar, tudo ruíria. Ruim, pensou ele. Quebraria, como
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Quando começou a me roubar o sono, eu já não dormia e sequer acordava, vivia em meu estado sonolento magnetizado, meus pensamentos em transe diurno convergiam somente a ela. E ela talvez, por saber, me mantinha nesse estado, roubando pedaços de meu sono a cada noite.
Era tarde quando saiu de casa para devolver os filmes que alugados e não assistidos tomavam seu tempo no ir e vir até a locadora. Foi a pé porque não podia dirigir. Devido a. Um acidente. Acidente é aquela ocorrência imprevisível que ás vezes cai no abismo de nosso cotidiano bem em cima de nossa cabeça. E que. De certa forma. Nos desperta. Era tarde quando despertou para devolver os filmes que sequer havia assistido. Despertou do sono com algo que caiu acidentalmente em sua cabeça. E abalou os pensamentos, os atos daquela tarde. De todo fim de semana. A ponto de. Não poder. Agir como o planejado e assistir um filme especialmente desenhado para acidentar o cotidiano de alguém.
Seguia a vida como um fantasma, já não sentia o corpo, tinha perdido a alma. Penada. Prosseguia sendo empurrado pelo vento. O peso que não tinha. Não tinha peso, não tinha nada. E se não tinha o que seria? Como se classificaria se até seu nome se perdera, como se entender não tendo nada? Como ser além do vazio sendo só alma? Seguia sem vida o fantasma. Penava.
Não devo mais falar com você já falei demais sozinho mas o que você vai me dar de aniversário é daqui a pouco sabia você acha que sou chato só porque fico falando sozinho com você acha que sou emocionalmente instável que tenho problemas é só eu que tenho problemas você não tem eu te ajudo me peça que eu te ajudo me dá um problema seu crava tuas unhas em mim e me abraça você acha que eu falo demais ou escrevo demais eu me passei e você vai ser sincera comigo vai me dizer que eu passei do limite vai dizer que chega quando
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