gripe

Nasci numa civilização gripada. Nos arrastamos amortizando os sintomas. Perdi o contato com a terra, perdi o caminho do sagrado. Ao querer um atalho para a alma virtuei-me no caminho da não existência. Um endereço um código. Passei a ser feito de números binários, a refugiar-me num estado que não é espírito nem matéria. Passei a desmaiar com o próprio sangue, sentir náusea com a respiração. E cada vez que olhava ao lado me perguntava se queria realmente ser humano. A verdade é que não queria ser. Mas me contradizia na aparição.

31 ago , 2011

prosa